quinta-feira, 9 de maio de 2013

Serotonina, Noradrenalina e Dopamina


Sabe-se que a hiperatividade da noradrenalina ocasiona ansiedade e inquietação e os medicamentos capazes de aumentar sua atividade melhoram muito os quadros de depressão com apatia, desinteresse e lentidão psicomotora. A dopamina, por sua vez, parece estar ligada a diminuição ou falta de iniciativa, à perda do dinamismo, ao cansaço e a sensação de prazer, ao mesmo tempo em que a serotonina estaria relacionada ao comportamento impulsivo, a emoção, ao sofrimento, à violência, ao sentimento de culpa e às condutas adictivas (de dependência).

Neurônios da Serotonina 
Existem cerca de 10 bilhões de neurônios no cérebro humano e, muito possivelmente, 250 mil deles pertence ao sistema serotoninérgico. Esses neurônios estão principalmente distribuídos nos núcleos da rafe e no mesencéfalo. 

O processo de despolarização no neurônio pré-sináptico promove a expulsão de serotonina (5-HT) para a fenda sináptica e para o espaço extracelular cerebral. A serotonina liberada pode ativar tanto pré quanto pós-sinápticos, sendo que os últimos estão localizados no neurônio-alvo e os primeiros no mesmo neurônio de onde saiu a serotonina (auto-receptores).

Esses receptores determinam um número de eventos intracelulares responsáveis por muitos efeitos biológicos. As múltiplas ações da serotonina são explicadas pela interação dessa com algum subtipo de receptor. Ativados, esses neuroreceptores produzem inibição da adenilciclase. O receptor 5-HT1A encontra-se igualmente envolvido no fluxo de íons.


Tratamento para Depressão Infantil e Distimia
Hoje se aceita que a melhor orientação terapêutica para a Depressão é a combinação da psicoterapia e da farmacoterapia. As principais técnicas de psicoterapias usadas são:

Terapia Cognitiva. É calcada na tentativa de corrigir distorções cognitivas presentes no transtorno depressivo, isto é, procura corrigir esquemas de pensamento falhos próprios dos deprimidos. Os principais objetivos da terapia cognitiva são: aliviar sintomas por correção dos pensamentos viciosos da depressão, identificar cognições autodestrutivas e modificar esquemas de pensamentos errôneos. 

Terapia Comportamental. Baseia-se na hipótese de que padrões de comportamentos mal-adaptativos, próprios dos deprimidos, resultam acabam resultando no mau relacionamento com a sociedade em geral e, em particular, com a família. Ao tratar dos comportamentos mal adaptativos os pacientes aprendem a se relacionar com o mundo à sua volta de modo mais harmônico.

Distimia
A Distimia é um transtorno afetivo crônico caracterizado por humor deprimido (ou irritável em crianças e adolescentes) durante a maioria dos dias. É comum pessoas com Distimia serem consideradas "mal humoradas", normalmente com um padrão comportamental considerado sarcástico, rabugento, exigente e queixoso.

A doença afeta 3 a 5% da população geral; 30 a 50% dos pacientes em clínicas psiquiátricas gerais. A prevalência é de 8% em adolescentes jovens e de 5% em meninos e meninas, e mais comum em mulheres do que em homens.

Freqüentemente a Distimia coexiste com outros transtornos emocionais e psicossomáticos, sendo freqüente as alterações dos padrões de sono, de apetite, baixa auto-estima, pessimismo, perda de energia, retardo psicomotor, diminuição do impulso sexual e preocupações exageradas com relação a sua própria saúde.

Depressão Infantil 
Devido à diversidade dos locais onde os estudos são realizados e das populações observadas, vários índices de prevalência têm sido estabelecidos para a depressão na infância. Estudos norte-americanos revelam uma incidência de depressão em aproximadamente 0,9% entre os pré-escolares; 1,9% nos escolares e 4,7% nos adolescentes. A estabilidade dos sintomas depressivos tem sido mais pronunciada nos meninos que nas meninas.

Apesar da tamanha importância da depressão da infância e adolescência em relação ao suicídio, às dificuldades na escola, no trabalho e no ajuste pessoal, dificuldades que podem continuar por toda vida adulta, esse quadro não é devidamente diagnosticado.

A maioria das crianças maiores e dos adolescentes apresenta a Depressão de forma atípica, escondendo seus sentimentos depressivos sob uma máscara de irritabilidade, de agressividade, hiperatividade e rebeldia. Entretanto, apesar da maioria manifestar a Depressão atípica, algumas podem apresentar sintomas clássicos, como a tristeza, ansiedade, mudanças no hábito alimentar e no sono, etc.


Efeito Placebo
Veja um trecho do artigo de Eduardo Moraes Baleeiro sobre o Efeito Placebo: "Fumento, em artigo jornalístico publicado no "Chicago Tribune", chama atenção de como a mídia jornalística e a intervenção dos processos advocatícios interferem no adoecer. 

Na sociedade norte-americana, intensa e abusivamente, os advogados com processos contra o médico e seus procedimentos, com o pensamento puramente mercantilista, visando a lucros financeiros para os seus clientes, interferem, de uma maneira muito clara, no desencadeamento do fenômeno nocebo, em função de uma expectativa negativa: quanto pior o resultado médico, quanto mais doença e seqüelas, maior o lucro financeiro. 

Nesse artigo do "Chicago Tribune", é abordada a questão da complicação dos implantes de silicone na plástica de seios. Durante mais de 30 anos, as mulheres viveram felizes e realizadas após cirurgia plástica com implante de silicone, até que alguns poucos casos evidenciaram complicações reais, que foram tratadas, bombasticamente, pela imprensa leiga, e inúmeras mulheres passaram a adoecer. 

O pior veio depois, quando a perspectiva de lucros financeiros indenizatórios contra os fabricantes das próteses foi estimulada largamente pelos advogados. Um escritório de advocacia publicou o seguinte anúncio: "US$ 100.000 ou mais esperam por você, se você tem implante de silicone nos seios." Trata-se do nefasto e indesejado lucro secundário, que tem origem na expectativa do paciente, na de seus familiares e na interferência sociocultural.

Aqui no Brasil, em que a indústria de indenizações estimuladas pelos advogados ainda não chegou ao nível do que ocorre nos Estados Unidos, observa-se uma crescente preocupação com esse nefasto procedimento, desencadeando o fenômeno placebo em inúmeras questões médico-trabalhistas. 

Bellamy, em artigo que estuda as recompensas financeiras como fator do adoecer - fenômeno nocebo - discute diversas dificuldades que afligem os ortopedistas, principalmente em relação à dor, em que o efeito placebo é o mais marcante entre todos os sintomas da clínica médica e, no reverso da medalha, o mais sujeito ao fenômeno nocebo. Em brilhante conferência sobre LER, lesões por esforço repetitivo, um experiente ortopedista da área médico-trabalhista afirmou não ter visto, uma vez sequer, um trabalhador autônomo da área de digitação apresentar LER, doença típica dos profissionais dessa área.

Fator importantíssimo e básico para a moderna psicologia médica é a relação médico x paciente para a solução do processo terapêutico. É nessa relação que as expectativas e as fantasias, otimistas ou pessimistas, acarretam os fenômenos placebo e nocebo. 

Cultural e socialmente, a relação médico x paciente, no Brasil, é comprometida em função dos planos de saúde intermediando a relação paciente x processo terapêutico, freqüentemente gerando o fenômeno nocebo. Os pacientes que têm planos de saúde passam a adoecer, somatizando mais, para mais usar os recursos médicos desses planos, uma vez que eles os pagam mensalmente, aumentando, assim, o número de consultas, de procedimentos diagnósticos e da medicalização.

Imagine-se que a expectativa negativa atinge, cada vez mais, grande número de pessoas, desempregadas ou com perda do seu poder aquisitivo, fenômeno freqüente no Brasil de hoje, quando, privados de seus planos de saúde, vêem-se na perspectiva negativa e pessimista de depender do sistema médico do SUS. 

Outra perspectiva sombria é a relação médico x paciente no sistema manage care que, aos poucos, vem sendo introduzido no Brasil. Observação norte-americana em relação ao manage care mostra que esse método, com a tentativa de diminuir artificialmente o procedimento médico, tem tido nítido efeito nocebo, pois os pacientes que estão sujeitos a esse tipo de relacionamento precisam piorar bastante, porque somente os mais doentes têm o privilégio do atendimento médico (ressalte-se tamanho absurdo, da necessidade de piorar bastante para almejar esse tipo de atenção - comentário nosso).

Faz-se aqui a reprodução do que Baleeiro escreveu em breve artigo sobre o placebo: "para Balint, pai da moderna psicologia médica, através de sua valorização na relação médico x paciente, o melhor medicamento é o próprio médico. É o médico, portanto, que nomeia a atuação terapêutica do placebo, bem como empresta a qualquer droga (com princípio farmacológico ativo), no uso clínico corrente, um efeito placebo importante".

Ao concluir essas observações sobre o efeito placebo e nocebo, ratifica-se o que já foi dito: o que distingue fundamentalmente o placebo do nocebo é a qualidade da expectativa, se otimista ou positiva, ao contrário da outra situação em que predomina a expectativa pessimista ou negativa. O que gera esse antagonismo é o amor e o ódio que permeiam a relação médico x paciente, como toda e qualquer relação humana. Freud afirmou que o amor e o ódio são as faces opostas de uma mesma moeda.



FONTE: psiqweb

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