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sábado, 12 de abril de 2014

Pesquisa revela alto índice de adoecimento mental entre docentes da UFPA








O Ex-Coordenador de Saúde do Trabalhador da UFPA, Médico, Professor e pesquisador, Jadir Campos, mestre na área médica e em educação e doutorando em Saúde do Trabalhador na Universidad Internacional Tres Fronteras, de Buenos Aires (Argentina), conversou com a Adufpa sobre a correlação entre as políticas para a educação superior pública no Brasil e o adoecimento docente. Em sua recente pesquisa de mestrado, intitulada “Trabalho Docente e Saúde: Tensões da Educação Superior”, que teve como objetivo discutir como as tensões das políticas para a Educação Superior pública estariam levando ao sofrimento e, em consequência, ao adoecimento docente, foram obtidos dados que sugerem que o fomento ao produtivismo e à competitividade, estimulados, sobretudo, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), estão gerando adoecimento mental entre professores da UFPA. De acordo com a pesquisa, uma taxa de 14,13% dos pedidos de afastamento do trabalho de docentes da universidade, entre 2006 e 2010, esteve relacionado a problemas com a saúde mental.

Adufpa: De acordo com sua pesquisa, qual o quadro da UFPA quanto à saúde dos docentes?

Jadir: O quadro da UFPA praticamente se repete em todas as IFES brasileiras, porque isto é uma característica da própria política que o Ministério da Educação (MEC) vem adotando com relação ao trabalho docente. Esta pesquisa, iniciada através do mestrado em Educação, enfoca as políticas que foram criadas pelo governo federal para a educação superior e como elas, de alguma forma, comprometem o trabalho docente, que é intensificado e, na maioria das vezes, não é percebido pelo professor. Essa precarização do trabalho leva a uma situação de sofrimento, inicialmente, e se aquela pessoa que está passando por este sofrimento não tiver condições de superá-lo irá adoecer, pois o docente está submetido a uma série de exigências por conta da política de educação do MEC.

O adoecimento que estamos discutindo aqui é o mental, porém existem outras doenças inerentes à docência: Lesão por Esforço Repetitivo (LER) / Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (DORT), lombalgia, problemas de pregas vocais com alterações da voz (disfonia), entre outros. Porém, neste trabalho, estou me referindo a um problema muito sério, que é o problema da saúde mental. Quando passei pela coordenadoria de saúde do trabalhador da UFPA, tivemos o trabalho de fazer esse levantamento, porque até então não existia absolutamente nada em termos de adoecimento do docente da UFPA, o que seria desvelado se o Projeto do Perfil Epidemiológico dos servidores da UFPA, elaborado por nós, tivesse sido implantado. Nós, modo geral, servidores da UFPA, não sabemos do que adoecemos nem do que morremos. Despertou-nos e inquietou-nos a quantidade de professores que nos procuravam com problemas de saúde mental. E, fizemos um levantamento de 2006 a 2010, levando em consideração aquele professor que nos procurava para se afastar, de alguma forma, em consequência de adoecimento mental. A surpresa – e eu não diria tão surpresa assim – foi a alta incidência de doenças mentais em professores da UFPA. O percentual de professores que pediram afastamento das atividades acadêmicas devido ao quadro de adoecimento mental, neste período, foi de 14,13%. Isto é alto, pois se compararmos com a doença que mais afasta os trabalhadores modo geral, na sociedade, que é a LER-DORT que é da ordem de 7,2%, chegamos a conclusão que no caso da UFPA o adoecimento mental afasta quase que o dobro do percentual que a LER – DORT afasta na sociedade em geral. Ou seja, o índice é muito alto e, por isso, preocupante.

Adufpa: Quais as possíveis causas do adoecimento docente?

Jadir: O que realmente está ocorrendo com o docente é que ele não está percebendo que está sendo “usado” e, digamos assim, imiscuído em um contexto político em que pela falta ou pela exiguidade de recursos financeiros - já que a universidade não arca com as necessidades materiais e de recursos para o desenvolvimento de pesquisas -, os dois órgãos mais importantes de fomento à pesquisa, a Capes e o CNPq, fazem uma triagem produtivista, tornando os docentes bodes expiatórios de um esquema perverso ao professor. Deste modo, o professor vai atrás deste fomento para conseguir recursos para sua pesquisa, para ter acesso às tecnologias, bolsistas etc. O professor que consegue isto acredita que o conseguiu por ser “gênio”, porém, o que não se percebe é que isso o coloca refém do produtivismo, da competição, e impõe a exigência de um grande número de publicações em revistas com qualis elevados. Contudo, eles acreditam que essa realidade faz parte do contexto da universidade e, esta situação é pior na Pós-Graduação, não percebem sua lógica real. Ele acha que “é gênio” por ter conseguido garantir todas suas publicações e aprovação de seus projetos, não percebe que isto na verdade é uma banalização, ou seja, em função dos exíguos recursos disponibilizados para a universidade, é feito uma triagem, e essa triagem é feita assim, dando maior possibilidade de pesquisa àquela pessoa que tem o que chamamos de ‘produtivismo consciente’, que publica muito, que tem seus artigos aprovados em periódicos qualis A, B. Os órgãos de fomento à pesquisa aproveitam-se disto e dizem que os professores tem plena consciência, mas não é bem assim. Quando você tem, de alguma forma, uma retribuição simbólica e remuneratória por algo que você faz, por exemplo: você desenvolve um trabalho, esse trabalho é aquilatado para que você receba um prêmio ou conquiste destaque, essa possibilidade de ter seu trabalho avaliado como o melhor, naturalmente gera no organismo substâncias que dão sensação de bem estar, neurotransmissores que provocam sensação de bem estar e nos “agiganta”, que nós chamamos de endorfinas. A pessoa que se vê envolvida neste contexto, com este “estímulo” à pesquisa e disponibilidade de recursos por ser “gênio”, acredita realmente que isto é ótimo, maravilhoso, a ponto de intensificar ainda mais seu trabalho. No meio deste bojo até o seu lazer é tomado. O professor se vê tão envolvido neste processo, que faz isso porque acredita que esta é a única e melhor forma de se destacar na carreira e conseguir recursos para pesquisa, expressando sua capacidade e adquirindo um status diferenciado em sua categoria. Com o tempo, a exaustão emocional e o cansaço, entre outras contradições, vão fazendo com que este docente apresente sofrimento e se não possuir estrutura emocional adequada adoece sem se perceber. Esse que é o maior problema. O docente não tem consciência do seu processo de adoecimento. É preciso criar políticas que façam o professor perceber que está dentro de uma rede perversa e que isso poderá levá-lo a adquirir doenças psicossomáticas, depressão, Síndrome de burnout entre outras.

Não se iludam, todas essas políticas criadas pelo MEC tem um viés de controle. Por exemplo, quando se impõe uma avaliação quatitativista aos docentes, com uma série de requisitos e pontuações que devem ser preenchidas, isso faz parte de uma política de controle. A Lei de Inovação Tecnológica é outra questão perigosíssima, pois ela incentiva o professor a ser além de produtivista, empreendedor. Essa Lei direciona a pesquisa aos interesses mercantis, sujeitando os docentes a pesquisarem de acordo com o retorno que os resultados da pesquisa darão ao mercado, às empresas e/ou indústria; além disso, outras áreas que não estão ligadas aos interesses industriais e de mercado, são penalizadas, dificilmente tem seus projetos aprovados porque não são “rentáveis”. Aquilo que existia nas universidades em termos da autonomia não existe mais. Tornou-se o que nós chamamos de ‘autonomia consentida’. Você vai até onde a instituição acha que é permitido ir. O próprio docente está comprometido em sua autonomia intelectual, ou seja, ele não tem mais a liberdade de pesquisar o que ele julga e percebe ser importante para a sociedade e para a universidade. Ele tem que pesquisar aquilo que é considerado valido e que dará retorno, no sentido de recompensar monetariamente. Ele acredita que está sendo recompensado intelectualmente, mas infelizmente não está.

Adufpa: Quais são as características apresentadas pelos docentes quando atacados em sua saúde mental?

Jadir: Existem várias doenças mentais, porém duas chamam mais a nossa atenção no que tange a saúde do professor, a Síndrome de burnout e a depressão. A Síndrome de burnout, que é intimamente relacionada ao exercício docente e a depressão, que hoje é a segunda causa que mais afasta do trabalho e, em 2020, será a doença que mais afastará do trabalho, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Hoje, a depressão só perde para LER / DORT, primeira doença que mais afasta trabalhadores de suas atividades.

A pessoa com depressão é aquela pessoa que constantemente se afasta, não tem envolvimento com os colegas, com os pares, procura se isolar. É aquela pessoa que está comumente irritada e não deixa com que ninguém se aproxime ou aborde-a. O cansaço na pessoa que está deprimida é muito frequente, a pessoa sempre relata: “estou cansada”, “estou exausta”, “não consigo produzir o que eu acho que deveria produzir”. Mas, como tem que competir, ela busca de qualquer forma produzir. O docente com quadro depressivo apresenta, constantemente, dor de cabeça e pode apresentar perda do apetite tanto nutricional como sexual.

A Síndrome de burnout tem características especiais. São três as principais características desta Síndrome: a exaustão emocional; a falta de envolvimento com o trabalho, a pessoa perde o interesse e já não tem mais o mesmo entusiasmo de antes; e, finalizando, a despersonalização. A despersonalização, eu considero como médico um termo muito forte, isto é para a escola inglesa, nós, da escola brasileira, chamamos de desumanização. A desumanização se expressa naquele professor que é questionado pelo aluno e responde com pedras na mão e não deixa ninguém sequer intervir, adotando posturas autoritárias: “Aqui o professor sou eu, fique calado”, ou adota posturas similares quando abordado pelas demais pessoas. 

Existem muito mais problemas que comprometem a saúde mental, porém essas duas são as mais expressivas no contexto do adoecimento do docente em função de todas essas mudanças impostas ao mundo do trabalho do professor universitário.

Adufpa: Como ex-coordenador de saúde do trabalhador da UFPA, qual a sua avaliação sobre o papel institucional da universidade para combater esse quadro de elevado adoecimento mental do docente?

Jadir: Quando eu estava na coordenadoria nós fizemos várias discussões sobre o problema do adoecimento de docentes na UFPA. Essas discussões envolveram a Adufpa e o Sindicato dos Técnicos da UFPA (Sindtifes-PA). É lamentável, mas não há realmente um envolvimento Institucional da Administração Superior neste sentido. Não há uma política preocupada com isso. Nós tivemos algumas vezes oportunidade de levar ao atual reitor essas taxas observadas no período de 2006 a 2010. Elaboramos um projeto, o qual está na Pro-Reitoria de Gestão de Desenvolvimento de Pessoal (Progep), que funcionaria como uma intervenção sobre a qualidade de vida do trabalho dos servidores da UFPA. Infelizmente, isso não chegou a ser implantado. Não sei como anda esse projeto atualmente. O projeto foi criado, à época, por mim e pela professora Elen Carvalho, do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA), e está disponível como parte do acervo da Progep. É lamentável que a UFPA não dê a devida importância a um tema como este, pois se preocupar com a qualidade do trabalho deveria ser um hábito Institucional.


Christophe Dejours, que é um autor que pesquisa sobre a questão do sofrimento e adoecimento no trabalho, chama esse processo, vivenciado pelos docentes, de psicodinâmica do trabalho, ou seja, você está envolvido no trabalho, mas não tem consciência do processo e organização dele. O trabalho está posto e você vai realizar. Mas nem sempre consegue. Na maioria das vezes você se aproxima do que lhe foi pedido e cria mecanismos para que não sofra por aquilo. O problema é que hoje, as avaliações estão ai, tudo é avaliado. Não que as avaliações não sejam pertinentes, mas depende do tipo de avaliação, de como essa avaliação é conduzida. Isso é que deve ser discutido. Mas, infelizmente, a UFPA não tem dado importância a este problema, pois eu desconheço, até então, essa preocupação institucional.

FONTE: ADUFPA - SEÇÃO SINDICAL - ANDES SN

terça-feira, 14 de maio de 2013

Transtornos mentais podem estar ligados às pressões no trabalho, aponta estudo da USP

















Um estudo da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) mostrou de que forma os transtornos mentais podem estar ligados a pressões impostas no ambiente de trabalho. Esta é a terceira razão de afastamento de trabalhadores pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O coordenador da pesquisa, o médico do trabalho João Silvestre da Silva-Júnior, trabalha como perito da Previdência Social há seis anos e, tendo observado a grande ocorrência de afastamentos por causas ligadas ao comportamento, decidiu investigar o que tem provocado distúrbios psicológicos.


O cientista notou que a violência no trabalho ocorre pela humilhação, perseguição, além de agressões físicas e verbais e listou quatro razões principais que prejudicam a saúde mental no ambiente corporativo.

A primeira delas é a alta demanda de trabalho. “As pessoas têm baixo controle sob o seu ritmo de trabalho; elas são solicitadas a várias e complexas tarefas”, disse o pesquisador. O outro aspecto são os relacionamentos interpessoais ruins, tanto verticais (com os chefes), quanto horizontais (entre os próprios colegas).

A terceira razão é o desequilíbrio entre esforço e recompensa. “Você se dedica ao trabalho, mas não tem uma recompensa adequada à dedicação. A gente não fala só de dinheiro. Às vezes, um reconhecimento, um elogio ao que você está desempenhando”, explica Silvestre. O último aspecto citado pelo pesquisador é a dedicação excessiva ao trabalho, que também pode afetar a saúde mental.

A pesquisa coletou dados na unidade de maior volume de atendimentos do INSS da capital paulista, a Glicério. Foram ouvidas 160 pessoas com algum tipo de transtorno mental. Silvestre informa que, entre as pessoas que pediram o auxílio doença nos últimos quatro anos, uma média de 10% apresentava algum tipo de transtorno.

Segundo o Anuário Estatístico da Previdência Social de 2011, mais de 211 mil pessoas foram afastadas em razão de transtornos mentais, gerando um gasto de R$ 213 milhões em pagamentos de benefícios. “Quando você entende o que gera os afastamentos, você pode estabelecer medidas para evitar os gastos”, disse. As doenças mentais só perderam, naquele ano, para afastamentos por sequelas de causas externas, como acidentes, e por doenças ortopédicas.

Em São Paulo, a pesquisa constatou a alta presença de trabalhadores do setor de serviços, como operadores de teleatendimento, profissionais da limpeza e da saúde com doenças mentais. “Mas essa variável do tipo de trabalho não se apresentou significativa no nosso estudo. Ela não apareceu como algo que influencia o aparecimento do transtorno mental incapacitante”, relata.

A pesquisa apontou que o perfil predominante entre os afastamentos foi o feminino e alta escolaridade (mais de 11 anos de estudo). Mas Silvestre alerta para uma distorção, porque as mulheres têm maior cuidado com a saúde, o que aumenta a presença feminina nas estatísticas.

“O sexo feminino apresentar uma maior possibilidade de transtorno mental está relacionado às mulheres terem facilidade em relatar queixas. Reconhece-se que as mulheres procuram os médicos com mais facilidade, elas têm uma maior preocupação com a saúde do que os homens”, contou. De acordo com o cientista, os homens demoram a ir ao médico e, quando vão, encontram-se em situação mais grave.

O fator escolaridade, segundo o estudo, pode afetar a percepção da existência das doenças. A maioria dos afastamentos ocorre com indivíduos de alta escolaridade, pois eles são mais esclarecidos. “As pessoas conseguem ter uma maior percepção de que o ambiente de trabalho está sendo opressor. Quando ela percebe que ali é um local ruim de trabalhar, ela vem a adoecer, a ter o distúrbio psicológico e termina se afastando”, disse.

Para melhorar o clima no trabalho e prevenir doenças, Silvestre recomenda que os profissionais ligados à saúde e segurança do trabalho das empresas tenham consciência sobre onde estão os fatores de risco. Ele sugere também uma melhora da fiscalização por parte dos ministérios do Trabalho e da Saúde.

FONTE: AGÊNCIA BRASIL / Fernanda Cruz

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Estresse, depressão e ansiedade: os inimigos do professor da rede pública de SP













Doenças relacionadas à saúde mental são as maiores responsáveis pelo afastamento da sala de aula

A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), em parceria com o grupo Géia, apresentou em evento realizado hoje (11) os resultados de uma pesquisa que traçou o panorama da saúde dos professores da rede estadual de São Paulo. O médico do grupo Géia, Leandro Ramani, apresentou os resultados da pesquisa realizada durante o congresso da Apeoesp, em dezembro de 2010, que comprovam o adoecimento dos professores da rede estadual. O levantamento apontou que, dentre os professores pesquisados, 27% tiveram afastamento da atividade profissional no ano anterior a pesquisa (2009), motivado por problemas de saúde.

Um dado que chama bastante atenção no levantamento é que 41% dos entrevistados afirmaram terem sofrido, no ano anterior à pesquisa, com problemas relacionados a sua saúde mental, deste, 29% foram diagnosticados com depressão e 23% com transtornos de ansiedade. As doenças relacionadas à saúde mental dos professores são as que mais os afastam da atividade profissional. Dentre os que tiveram depressão, 57% tiveram que ser afastados de suas atividades profissionais e, daqueles que tiveram transtornos de ansiedade, 49% foram afastados da sala de aula.

“O ambiente de trabalho do professor é um ambiente onde existe violência. Isso acaba gerando o que chamamos de estresse crônico. O nosso sistema simpático reage a situações estressantes e nos coloca em estado de alerta. Quando a situação de estresse passou, o sistema parassimpático é ativado para que o nosso corpo relaxe. O que estou inferindo aqui é que o professor sofre situações estressantes diuturnamente, e não possui o tempo para que o sistema parassimpático funcione e ele possa relaxar”, explica Ramani.

Dos profissionais que declararam sofrer de ansiedade ou pânico, 62% não fazem acompanhamento médico regularmente. Entre os que afirmaram sofrer de depressão, 59% não tem acompanhamento médico regular. Para Fábio Santos de Moraes, secretário geral da Apeoesp, a política do governo estadual colabora para este quadro.

“A falta de estrutura é gritante. Nós vivemos uma barbárie. O estado age na consequência e não na causa. Para o professor não faltar mais o estado limitou o número de vezes que ele vai ao médico”, aponta Moraes.

Obesidade
Outro dado significativo da pesquisa refere-se à taxa de obesidade entre os professores. Dentre os pesquisados, 31,8% dos professores estão em situação de obesidade e 41,2% estão enquadrados como pré-obesos. Segundo o Ramani, uma das principais causas para este alto índice de obesidade e pré-obesidade é a não realização de atividades físicas regulares, 43% dos professores afirmaram que não realizam nenhuma atividade física.

A pesquisa revelou ainda que a realização de atividades físicas está relacionada com a idade do professor. Professores com mais de 50 anos são aqueles que mais fazem atividades físicas. “É importante ressaltar que nesta faixa etária estão os professores aposentados, que possuem mais tempo para realizar atividade física”, frisou o Dr.Ramani.

Para Maria Izabel Noronha, presidenta da Apeoesp, a razão para que muitos professores não façam atividades físicas está na jornada de trabalho estafante. “Acho que em relação à atividade física, o fato de a pesquisa apontar que os professores aposentados fazem mais atividades físicas se relaciona com a falta de tempo de quem dá aulas. O professor não tem tempo para cuidar de si”, disse.

Após a apresentação dos resultado, Maria Izabel Noronha afirmou que a Apeoesp vai fazer um grande esforço para dar força para a publicação da pesquisa, e assim levar seus números ao conhecimento de toda a categoria. Desta forma, segundo ela, será possível cobrar do governo do estado ações para melhorar a saúde do professor da rede estadual de ensino.

“Devemos tirar metas de como queremos lidar com essa questão do adoecimento dos professores, essa publicação vai sensibilizar muito para que consigamos expor a situação. Um candidato, por uma bolinha de papel na cabeça, fez mil raios x, e nós não conseguimos. E quando conseguimos já passou o tempo”, destaca. “Precisamos fazer com que os números sejam revertidos. Que sejam pensadas políticas de prevenção e tratamento do professor adoecido.”

FONTE: GELEDÉS / Por Felipe Rousselet  -  Publicado em 11 de setembro de 2012 na Revista Fórum

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